Cosmovisão

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Cosmovisão pode ser definida como uma percepção da vida, ou uma visão do mundo derivada de um axioma ou pressuposição filosófica. Há duas visões de mundo básicas, cada uma com suas premissas subjacentes. Um sistema de pensamento tem somente processos naturais como suas base; o outro, criação por Deus. Estas cosmovisões estão se tornando polarizadas de forma crescente devido à ênfase crescente no ensino da evolução em escolas públicas com a exclusão de qualquer ponto de vista contrário. Também contribui para isso a abordagem geralmente unilateral tomada pela mídia popular, que marginaliza outros pontos de vista.

Estrutura de interpretação

A cosmovisão oferece uma série de assunções não-científicas, utilizadas para interpretar as observações factuais, de forma a obter uma compreensão geral maior de um objeto, evento ou conceito específico. É inerente que os evolucionistas e criacionistas igualmente se baseiam em assunções filosóficas com respeito às questões de origem da vida, quando observam a diversidade da vida.

A estrutura interpretativa é um elemento essencial para o raciocínio humano sobre as observações factuais. Entretanto, a separação entre o filosófico e o científico tem se tornado nebulosa, pela aceitação total da mudança não observada, da evolução a partir de moléculas até o homem. A ciência não deveria apresentar essas assunções filosóficas como parte de seus achados, mas a natureza essencial das estruturas interpretativas é que, sem elas, a habilidade de interpretar a realidade a uma extensão plena torna-se extremamente limitada. Os Evolucionistas recorrem a uma filosofia naturalista, enquanto os criacionistas se baseiam no supernaturalismo. Nenhuma das duas estruturas interpretativas filosóficas está errada, porque ambas são não-observadas e portanto não-científicas; entretanto a ciência moderna apresenta uma como superior à outra, gerando tendenciosidade. Permitir que as pessoas refinem suas próprias estruturas interpretativas, ou filosofias da ciência, dando-lhe uma fonte ausente de filosofia, mas consistindo de dados observáveis, repetíveis, não-tendenciosos e confiáveis deveria ser o propósito da ciência.

Exemplos de estruturas interpretativas incluem:

  • Linguagem: a habilidade da mente em extrair significado de sons ou sinais visuais;
  • Visão: a habilidade da mente tirar conclusões acerca do ambiente físico que o rodeia, a partir de estímulos visuais;
  • Filosofia: a habilidade de processas, categorizar e analisar conceitos complexos.

Por meio disto, questões existenciais profundas são respondidas. Ken Samples escreve no seu blog acerca de um livro que apresenta oito questões que uma cosmovisão é capaz de responder.[1] As oito questões são;

Realidade última: Que tipo Deus existe, se existe algum?
Realidade externa: Há algo além do cosmos?
Conhecimento: O que pode ser conhecido, e como se pode conhecê-lo?
Origem: De onde eu vim?
Identidade: Quem sou eu?
Localidade: Onde estou?
Moral: Como devo viver?
Valores: O que devo considerar de grande valor?
Problemática: Qual é o problema fundamental da humanidade?
Resolução: Como pode ser solucionado o problema da humanidade?
Passado/Presente: Qual é o significado e a direção da história?
Destino: Continuarei a existir após a morte de meu corpo e, se sim, em que estado?[2]

Teísta

Teísmo é a filosofia religiosa que afirma que Deus existe e que Ele criou e sustenta o cosmos. O teísmo clássico afirma que o Deus criador não somente existe, mas é onisciente, onipresente, necessariamente existente, não-físico, eterno e essencialmente bom. A filosofia alternativa mais competitiva existente no clima intelectual moderno é o naturalismo metafísico, uma filosofia da ciência que atua sem a existência de Deus e da alma, operando com a assunção de estrito materialismo.[3]

Criação

A cosmovisão criacionista é a crença de que o universo, a terra e a vida foram deliberadamente criados por um ser inteligente, a qual é conhecida aqui como "ponto de vista criacionista" (PVC). Em particular, o criacionismo é a crença de que Deus trouxe o cosmos à existência, a partir de um estado de não-existência. A criação neste sentido é distinta de mera mudança ou transformação de algo pré-existente (evolução).

Há duas escolas principais de estudo conhecidas como criacionismo religioso e criacionismo científico, e uma variedade de crenças em questões como a idade da terra, evolução biológica, e o quanto os processos naturais estiveram envolvidos no desenvolvimento do cosmos.

Bíblica

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A cosmovisão bíblica é derivada de estudos da Bíblia, que se acredita ser a palavra inspirada de Deus. Desde os primeiros capítulos de Gênesis, a Bíblia define uma cosmovisão, que inclui o que podem ser chamados de diversos pontos fundamentais, e muitos pontos derivados. Alguns deles são:

  • Um Criador pessoal, que é distinto da criação. Em outras palavras, Deus é uma pessoa, não uma força cósmica impessoal. Deus e sua criação não são um, e não são a mesma coisa em essência.
  • Houve uma queda histórica no Éden, levando à morte permanente. O Novo Testamento contém o Evangelho, que descreve a obra sacrificial de Cristo que abriu a única saída para esta maldição.

A fundação e os princípios do Judaísmo são encontrados nas escrituras Hebraicas, mais conhecidas como o "Velho Testamento", que contém a história da terra jovem e o nascimento e crescimento da nação de Israel. Ao passo que a fundação e os princípios do Cristianismo vêm do Novo Testamento da Bíblia, aonde são encontrados os livros doutrinários da fé cristã.

Islâmica

A cosmovisão islâmica é baseada nos ensinos do Alcorão. Islã é também uma religião monoteísta, que concorda com a Bíblia nos eventos principais da criação.

Ateísta

O ateísmo é uma negação filosófica da existência de Deus.[4] Uma versão mais ativa afirma a não existência de Deus, e propõe a crença positiva, ao invés da mera suspensão da descrença.[5] O materialismo (descrença no plano espiritual), o naturalismo, a teoria da evolução, e o humanismo derivam inexoravelmente desta visão de mundo.

Naturalismo Metafísico

O naturalismo metafísico, ou naturalismo ontológico, é uma cosmovisão em que a realidade é composta somente de coisas naturais, forças e causas. Todos os conceitos relacionados à consciência ou à mente se referem a entidades que podem ser reduzidas às mesmas coisas naturais, forças e causas. Não há existência objetiva de nenhuma coisa, força ou causa sobrenatural, tais como descritas nas várias religiões e relatos mitológicos. Todas as coisas sobrenaturais são em última análise explicáveis puramente em termos de coisas naturais. O naturalismo metafísico é uma visão de realidade monista, e não dualista.

O foco explícito e único no mundo natural tem levado a ciência moderna a aceitar o naturalismo como a filosofia da ciência predominante. Muitos filósofos |cristãos como Alvin Plantinga, William Lane Craig e Peter van Inwagon consideram que o naturalismo possui uma postura mais forte do que o ateísmo. Segundo Plantinga, o naturalismo não somente pressupõe a não-existência de Deus, mas se estende a todas as áreas da vida, respondendo uma variedade de questões profundamente existenciais sobre como a vida deve ser vista, de que o mundo é feito fundamentalmente, e qual é realmente o propósito da humanidade. A partir desta posição metafísica, os filósofos consideram o naturalismo como sendo uma cosmovisão e tendo portanto as funções cognitivas de uma religião, carecendo de apoio apenas para as atividades externas da adoração e/ou ritual.[6][7]

Na prática, o uso do termo naturalismo metafísico reduz-se à visão ontológica mais específica do naturalismo científico, porque a ciência depende do naturalismo de forma a poder ser realizada. O naturalismo científico é intimamente relacionado ao fisicalismo e é com freqüência referido simplesmente como naturalismo, naturalismo religioso ou naturalismo espiritual e ocasionalmente como naturalismo filosófico ou naturalismo ontológico, apesar de todos estes termos terem outros significados, e o naturalismo freqüentemente se referindo a naturalismo metodológico.

Evolução

De Thomas Huxley, Evidence as to Man's Place in Nature (Evidência do lugar do homem na natureza) (1863)

A cosmovisão evolucionista é derivada da crença de que a vida na terra desenvelvou-se puramente a partir de processos naturais (evolucionismo). É uma posição materialista/naturalista que em última análise deriva da filosofia ateísta. A teoria geral da evolução desenvolveu-se em diversos campos de estudo científico e inclui a crença na evolução biológica como sendo responsável por toda a vida na Terra.

O Evolucionismo é comparado por alguns aos sistemas de crença religiosa. Argumenta-se que a aceitação dos princípios da teoria da evolução requer fé, porque diversos aspectos da teoria da evolução, tais como a origem da vida e a informação genética, não foram reproduzidos experimentalmente sob nenhuma circunstância que se pudesse conceber. Como outros sistemas religiosos, ele está fundamentado em uma posição filosófica que tenta explicar a existência do mundo material e da vida, e é aceito por meio de um sistema puramente de fé.

Humanista

A cosmovisão humanista é derivada da crença de que os seres humanos são apenas uma outra forma de animal, tendo-se desenvolvido através de mecanismos evolucionários materialistas (humanismo). O humanismo é também baseado no ateísmo, e é fundado sobre um princípio essencial - de que os humanos são capazes de decidir por si mesmos, com relação a determinar o que é correto e o que é errado.

Alguns têm argumentado que o humanismo é a religião mais antiga do mundo, tendo se iniciado com a queda do homem no Jardim do Éden. O livro de Gênesis detalha a tentação de Eva a comer da árvore proibida e receber o conhecimento do bem e do mal.[8] Após este ato simples, a humanidade começou a ver a si mesma como autônoma, autodirecionada e semelhante a Deus.[9] No tempo presente, o humanismo é a única cosmovisão religiosa permitida no sistema de escola pública dos EUA, aonde permeia cada faceta do currículo. Quer seja discutindo a história mundial ou algum campo da ciência, premissas bíblicas não são encontradas em nenhum lugar nas escolas modernas. Em contraste, os conceitos humanistas de moralidade, naturalismo, e a teoria da evolução são tratados como dogma.

Conflitos

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O debate criação vs. evolução destaca as duas visões de mundo ou sistemas de crença: um, onde Deus está no centro do quadro, e outro que coloca o homem no centro. A evolução, por sua própria natureza, requer uma cosmovisão em oposição à Bíblia. Colocando de forma simples, se a evolução é verdadeira, então a Bíblia está incorreta. Se Gênesis não é verdade, isto põe em dúvida a acurácia do resto da Bíblia.

  • Adão e Eva foram apenas mitológicos; eles não desobedeceram a Deus nem introduziram o pecado no mundo;
  • Pecado, então, são apenas características indesejáveis que restaram dos estágios inferiores da evolução, os quais a humanidade irá eventualmente superar com seu aperfeiçoamento;
  • Jesus é meramente um bom homem, talvez à frente do seu tempo, e não o Salvador e pedra angular de nossa fé.

A cosmovisão bíblica sustenta que o homem é uma criatura atingida pela queda — essencialmente falho, egoísta, e necessitando de um Salvador. Sem Deus de forma proeminente no quadro, a cultura e a sociedade inevitavelmente degeneram em um quadro de desordem e decadência (involução). A visão humanista, por outro lado, é de que a natureza do homem é essencialmente boa, e que, com o tempo, iremos eventualmente superar os problemas com que a sociedade se depara. Esta visão afirma que precisamos lançar fora nossas restrições do passado (especialmente restrições religiosas e morais) para que estejamos livres para explorar e nos desenvolver até um estado de ser superior.

Estas duas visões são a base do conflito cultural de hoje. Geralmente o lado liberal / humanista / evolucionista são as notícias e a mídia de entretenimento, escolas e universidades, instituições governamentais, e outros grupos liberais. Do lado bíblico estão as igrejas evangélicas e fundamentalistas, e os grupos conversadores e pró-família. O conflito está sendo expresso mais abertamente, na medida em que os grupos liberais exigem cada vez mais liberdade dos valores morais tradicionais. A evolução é o ponto de combate dos grupos humanistas. Se, como afirmam, somos apenas acidentes no espaço, então nós podemos estabelecer as regras e não temos que prestar contas a nenhum Deus.

Referências

  1. Brian J. Walsh e J. Richard Middleton, The Transforming Vision (A Visão Transformadora) (Downers Grove, IL: InterVarsity, 1984), 35; David S. Dockery e Gregory Alan Thornbury, eds., Shaping a Christian Worldview (Formulando Uma Cosmovisão Cristã) (Nashville: Broadman & Holman, 2002), 3.
  2. What in the World Is a Worldview? por Ken Samples, Postado em 23 de agosto de 2011
  3. The Blackwell Companion to Natural Theology (O Manual Blackwell de Teologia Natural), no ensaio, "The Project of Natural Theology" (O Projeto da Teologia Natural), de Charles Taliaferro, pg 8. Editado por William Lane Craig e J. P. Moreland, 2009 Blackwell Publishing Ltd. ISBN: 978-1-405-17657-6
  4. "Atheism and Agnosticism." Stanford Encyclopedia of Philosophy, Stanford University, March 9, 2004. Accessed October 12, 2008.
  5. Sarfati, Jonathan. "Atheism is more rational?" (Dialogue) Creation Ministries International, September 5, 2000. Accessed October 12, 2008.
  6. The Nature of Nature: Examining the Role of Naturalism in Science, "Evolution versus Naturalism" por Alvin C. Plantinga. Pg 137.
  7. Stanford Encyclopedia of Philosophy: religion-science
  8. LaHaye, T., Noebel, D. Mind Siege. Nashville: Word Publishing. 2000. p. 69
  9. LaHaye, p. 79