Deus

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Concepção artística da face de Deus - da Criação do Sol e da Lua de Michelangelo.

Deus é a única divindade onipotente, onisciente, e onipresente nas religiões monoteístas — o tão somente Criador e regulador do universo.

Ele tem muitos nomes e títulos, mais notadamente Yahweh ou Jeová (Hebraico: יהוה, Yāhwēh; Grego: Ἰαουέ, Iaouē; Latim: Iahveh) na Cristandade, Senhor (Hebraico: אֲדֹנָי, ʼAḏōnāy) no Judaísmo, e Alá (Árabe: الله, Allāh) no Islamismo. A maioria dos teístas assegura que Deus é perfeito, onipotente, onisciente, e benevolente. Perguntas com relação à existência e natureza de Deus recaem no ramo da filosofia conhecida como metafísica.

Várias visões sobre a ontologia de Deus:

  • Deísmo: Deus como separado do universo físico, e não interagindo com ele;
  • Teísmo: Deus como separado de nosso universo físico e interagindo com ele;
  • Imanentismo: Deus como inseparável do próprio universo;
  • Corporealismo: Jeová como um ser corpóreo, sendo cabeça do conselho dos Benei Ha'Elohim;

Monoteísmo

As religiões monoteístas têm em comum uma doutrina sagrada, de que Deus é um só e há um só Deus, por definição. Durante os tempos bíblicos, este ponto de vista era mantido exclusivamente pelos Hebreus, e estava em forte contraste com as religiões politeístas (muitos deuses) praticadas pelas culturas grega, egípcia, cananita, babilônica, e persa.

Referências no Antigo Testamento

A aliança estabelecida entre Deus e Israel é dependente do reconhecimento, pelo seu povo, de que Deus é o único Deus, e fortes advertências foram dadas no Antigo Testamento contra a fabricação e adoração de ídolos - uma prática que era comum na época, mesmo entre os israelitas.


"Não vos volteis para os ídolos, nem façais para vós deuses de fundição. Eu sou o SENHOR vosso Deus." - Levitico 19:4

A importância desta lei é ilustrada pelo fato de ser o primeiro dos Dez Mandamentos dados a Moisés. Deve-se notar que os "outros deuses", contra os quais se adverte aqui, não são deuses em si, mas substitutos de Deus (ídolos), demônios ou simplesmente mitológicos.

"Não terás outros deuses diante de mim." - Exodo 20:3

Ouve, ó Israel; o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR.

"Ouve, ó Israel; o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR." - Deuteronômio 6:4

"Assim diz o SENHOR, Rei de Israel, seu Redentor, o SENHOR dos exércitos: Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus. " - Isaias 44:6

Referências no Novo Testamento

O Novo Testamento também ecoa este mesmo tema central.

"Ora, no tocante às coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que todos temos ciência. A ciência incha, mas o amor edifica. Se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber. Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhececido dele. Quanto, pois, ao comer das coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que o ídolo nada é no mundo, e que não há outro Deus, senão um só." - 1Coríntios 8:1-4

Trindade

O "Escudo da Trindade", que retrata os componentes de Deus e seu relacionamento.

A Trindade de Deus é central para o Cristianismo e é utilizada para descrever a crença de que Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. Ele é derivado do Latim Trinitas, ou seja, "Trindade". Nem a palavra "Trindade" nem qualquer equivalente ocorre na Bíblia, mas a doutrina é logicamente derivada de muitas declarações espalhadas por toda a Escritura.

A Bíblia ensina que Deus é realmente um Deus, mas que há três naturezas distintas ou manifestações para o mundo que são Jesus Cristo sendo o Filho de Deus o Pai. O Espírito Santo é para ser aceito na vida de uma pessoa sobre a fé na vida de Cristo, da morte e ressurreição, e como tal é considerado Deus.

Imagem

Como Adão é descrito em Gênesis como tendo sido feito à imagem de Deus, um tema importante na Bíblia ontologia são os aspectos de Deus que os seres humanos já possuem. Há 2 definições básicas da imagem de Deus.

Espiritual

Adão foi criado para refletir a natureza espiritual de ' 'Elohim (Hebraico: אלהים, ʼElōhīm). Essa crença, de longe a mais difundida entre os teístas, sustenta que Adão foi criado à imagem espiritual de Deus, para refletir sua razão e personalidade e capacidade de se comunicar. No entanto, não se acredita que Adão foi criado à imagem física de Deus, porque se acredita que Deus não tem existência física ou aparência.

Física

Adão foi criado para refletir a aparência física de Elohim. Esta visão, muito menos comum do que a visão espiritual, prevê que Adão foi criado à imagem física de Elohim. Baseia-se no corporealismo, ou a crença de que Deus tem um corpo físico. Argumentos para este ponto de vista incluem:

  • As mesmas palavras usadas para imagem (צלם, ẓelem) e semelhança (דמות, demūth), são usadas para descrever os filhos dos patriarcas.

"Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e pôs-lhe o nome de Sete." - Gênesis 5:3

  • Elohim é um substantivo plural, derivado das muitas referências a tal com frases de; "Façamos o homem à nossa imagem," implicando que o Elohim é plural, por incluir Jehovah Elohim e os Filhos de Deus, bem como o Espírito Santo decidindo criar o homem à sua imagem.

No entanto, um exame mais aprofundado do texto hebraico revela que isso é incorreto. Embora a palavra hebraica Elohim seja plural, é geralmente seguida por um verbo no singular quando se refere a YHWH como em Gênesis 1:1 onde o verbo ברא, baraʻ é singular — literalmente significando "Ele criou", possivelmente insinuando o mistério da Santíssima Trindade, enquanto Elohim, ao se referir a deuses pagãos, é geralmente seguido por um verbo no plural. Há exceções a esta regra como quando Elohim, ao se referir a YHWH, é seguido por um verbo plural em Gênesis 20:13 , Gênesis 35:7 , 2Samuel 7:23 , e Salmos 58:12 e pode ser utilizado para se referir a um único deus não israelita, como em Juízes 11:24 , Juízes 16:23-24 , 1Samuel 5:7 , e 1Samuel 18:24 .

  • Jehovah Elohim (traduzido, neste caso, como "O Senhor dos deuses") é descrito como fisicamente andando pelo jardim.

" E, ouvindo a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim à tardinha, esconderam-se o homem e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim." - Gênesis 3:8

"Quando Abrão tinha noventa e nove anos, apareceu-lhe o Senhor e lhe disse: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda em minha presença, e sê perfeito;" - Gênesis 17:1

"Depois apareceu o Senhor a Abraão junto aos carvalhos de Manre, estando ele sentado à porta da tenda, no maior calor do dia." - Gênesis 18:1

Nomes

Letras Hebraicas י (yod) ה (heh) ו (vav) ה (heh), ou YHWH. (o Tetragrama sagrado)

O antigo nome hebraico de Deus é a palavra de quatro letras YHWH (Hebraico: יהוה, Yāhwēh), a que os estudiosos bíblicos se referem como o Tetragrammaton ou Tetragrama Sagrado (Grego: Τετραγράμματον, Tetragrammaton; "palavra de quatro letras").

Após o exílio em Babilônia, uma tradição surgiu entre os Judeus de que o nome de Deus não deveria ser pronunciado, para evitar quebrar o mandamento de tomar o nome de YHWH em vão; nos tempos do Novo Testamento ele era somente pronunciado uma vez ao ano, pelo sumo sacerdote. Para esta finalidade, as vogais foram removidas da palavra (reduzindo-a às suas quatro consoantes), de forma a impedir que um leitor acidentalmente dissesse a palavra. Entre os leigos, tornou-se costumeiro dizer, ao invés, "Adonai" ("o Senhor"). Quando os pontos simbolizando as vogais foram adicionados ao texto das escrituras, os pontos para as vogais de "Adonai" eram às vezes escritos dentro da palavra "YHWH", de forma a recordar o leitor de dizer "Adonai". Após a destruição de Jerusalém e a dispersão dos judeus pelas nações, a pronúncia verdadeira perdeu-se.

Na época da tradução King James da Bíblia, os estudiosos traduziram o Tetragrammaton usando as consoantes seguindo o caminho Hebraico-Latim-Inglês que era comum na época (por exemplo, o Hebraico "י" era traduzido para o Latim "I", que era traduzido para o Inglês "J"), resultando na combinação de consoantes "JHVH". A isto eles adicionavam os pontos representando as vogais "Adonai" com as consoantes de "YHWH" (parece que os tradutores não estavam a par das origens daquele costuma judaico). O resultado foi a palavra inglesa Jehová, ainda usada em muitos círculos. A pesquisa acadêmica moderna, trabalhando diretamente com manuscritos hebraicos melhores, agora acredita que Yavé está provavelmente mais próximo da pronúncia original.

YHWH (Tetragrammaton) encontrado num fragmento da Septuaginta.

O nome YHWH declara Deus como aquele que existe por si mesmo, aquele que tem vida em si mesmo e de quem toda existência é derivada.

"Então Moisés disse a Deus, “Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser, ‘O Deus de vossos pais me enviou a vós’; e eles me perguntarem, ‘Qual é o seu nome?’ Que lhes direi?” Respondeu Deus a Moisés, “EU SOU O QUE SOU”: Disse mais, “Assim dirás aos olhos de Israel, ‘EU SOU me enviou a vós.’ E Deus disse mais a Moisés, “Assim dirás aos filhos de Israel, ‘O Senhor o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, me enviou a vós’: este é o meu nome eternamente, e este é o meu memorial de geração em geração.”" - Êxodo 3:13-15

No Hebraico, EU SOU O QUE SOU é אהיה אשר אהיה, ʼẸhyẹh ʼAshẹr ʼẸhyẹh.

YHWH é o nome que Deus usa em sua aliança de relacionamento com o Seu povo:

"Falou mais Deus a Moisés, e disse-lhe, Eu sou o Senhor: Apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó, como o Deus Todo-Poderoso; mas pelo meu nome, Yavé, não lhes fui conhecido." - Êxodo 6:2-3

YHWH ocorre mais de 6.000 vezes no Antigo Testamento. Nas traduções modernas, é freqüentemente escrito como "o Senhor", usando letras maiúsculas reduzidas. Ocasionalmente, as frases "Yahweh Adonai" or "Yah Yahweh" são utilizadas e as traduções podem dizer "o Senhor Deus". Esta utilização esconde o uso disseminado do nome pessoal de Deus e encoraja a falsa idéia de que YHWH e Alá (ou algum outro deus pagão) são o mesmo.

Na Septuaginta, YHWH foi traduzido pela palavra grega Κύριος, Kyrios, que significa "Senhor", e que é usada em todo o Novo Testamento. A palavra Κύριος também foi usada pelo imperador, e a declaração de que "Jesus é Senhor" era uma contradição direta de "César é Senhor". Deve enfatizar-se que ambas as frases eram reivindicações de divindade. Quando um crente fazia aquela declaração, ele estava denunciando a reivindicação de que o imperador era um deus, e afirmando que Jesus era Deus.

Existência

Por incontáveis gerações, muitos argumentos que tentam provar ou disprovar a existência de Deus foram formulados por teólogos, filósofos, cientistas, pensadores e intelectuais. Até a data presente, a existência de Deus ainda é debatida.

Há um punhado de argumentos que tentam provar a existência de Deus. O argumento cosmológico, com suas diversas versões, é um argumento muito importante no teísmo, como também na filosofia da religião. O argumento causal afirma que, como tudo que se inicia necessita ter uma causa, da mesma forma toda existência. Como recuar infinitamente no tempo não é possível, deve ter havido uma causa inicial; esta primeira causa não foi causada por nada mais e chama-se Deus. Existe também o argumento ontológico que afirma que, se é possível imaginar um ser como Deus, então o ser deve existir.

O argumento do design inteligente (frequentemente chamado de argumento teleológico) tem estado em uso desde a época dos antigos gregos, mas foi Tomás de Aquino que o tornou famoso em sua obra Summa Theologica. A versão mais antiga do argumento do design afirma que as coisas vivas demonstram sinais de ter havido um projeto e portanto devem ser sido projetadas por um projetista, Deus.

A forma moderna do argumento do design é denominada princípio antrópico (ou argumento do Ajuste Fino) e lida mais com a astronomia e a física do que com a biologia, devido às descobertas mais recentes no campo da cosmologia do Big Bang, mecânica quântica e astrofísica. Ele postula que, já que o universo, com todas as suas leis e constantes; o sistema solar, incluindo o tipo de estrela e disposição dos planetas; e a terra, incluindo o seu tamanho e composição, possibilitam a existência da vida dentro de margens de erro tão estreitas, deve existir um projetista divino.

Referências

Ligações externas