Saltacionismo

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Em biologia evolutiva, Saltacionismo (do Latim, saltus, "salto") é um conjunto de teorias evolucionistas que "sustenta que a evolução das espécies se dá em grandes passos pela transformação abrupta de uma espécie ancestral em uma espécie descendente de um tipo diferente, em vez de pela acumulação gradual de pequenas mudanças."[1].

Se denomina de saltação uma mudança repentina e de grande magnitude que ocorre entre uma geração e a seguinte. Em outras palavras, a transformação evolutiva de uma espécie ocorre subitamente o que permite que a evolução biológica possa ocorrer abruptamente dentro de um período de tempo extremamente curto. O saltacionismo é essencialmente o contrário do gradualismo. O saltacionismo mantém a visão de que mutações se formam rapidamente no pool genético de uma espécie, permitindo assim que uma especiação total possa acontecer abruptamente.

Um exemplo de saltacionismo no pensamento evolutivo foi a teoria de Goldschmidt do monstro esperançoso.[2] O equilíbrio pontuado era originalmente uma forma de saltacionismo, mas mais tarde foi declarado um contemporâneo do gradualismo filético.[3]

História

Baron Georges Cuvier (1769-1832), um catastrofista antigo, anti-evolucionista, anatomista comparativo e pai da paleontologia, estava convencido pelo registro fóssil de que novos grupos eram criados para substituir os seus antecessores, extintos em eventos cataclísmicos.[4] O botânico holandês Hugo de Vries , em sua publicação em dois volumes The Mutation Theory (a Teoria da Mutação) (1900-1903) postulou que a evolução, especialmente a origem das espécies, pode ocorrer com mais freqüência com mudanças em larga escala ao invés do gradualismo darwiniano, basicamente sugerindo uma forma de saltacionismo. Para de Vries os pangens eram as unidades de herança. Para ele, características inovadoras surgem de novos pangenes pela própria natureza de sua aparência rápida e aleatória. Estas novas características (monstruosidades) eram sujeitas à seleção natural se espalhando rapidamente nas populações gerando novas espécies.[5] A idéia de que transformações devem ter ocorrido em grandes saltos entre as espécies devido à macromutação foi sugerida pelo paleontologista alemão Otto Schindewolf e em seguida pelo geneticista Richard Goldschmidt.[6] Goldschmidt publicou suas idéias em 1940 no livro The Material Basis of Evolution.[4] A idéia de saltacionismo, de acordo com Eldredge, chegou a ser atribuída a ele e a Steve Gould, mas segundo o mesmo, eles jamais correram risco de seguir esta rota.[6]

Ver também

Referências

  1. http://dictionary.reference.com/browse/saltationism
  2. Eldredge, Niles. Reinventing Darwin: The Great Debate at the High Table of Evolutionary Theory. New York: John Wiley & Sons, Inc., 1995. p. 27. ISBN 0-471-30301-1
  3. Ernst Mayr, 1982a. Speciation and macroevolution. Evolution 36, page 1128
  4. 4,0 4,1 Eldredge, Niles. Time Frames: The Rethinking of Darwinianian Evolution and the Theory of Punctuated Equilibria. New York: Simon and Schuster, 1985. p. 72-74. ISBN 0-7167-3963-1
  5. Schwartz, Jeffrey M. Sudden Origins: Fossils, Genes and the Origin of the Species. New Tork: John Wiley & Sons, 1999. p. 191. ISBN 0-471-32985-1
  6. 6,0 6,1 Eldredge, Niles. The Pattern of Evolution. New York: W. H. Freeman and Company, 2000. p. 20. ISBN 0-7167-3963-1