Teoria da recapitulação

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Desenhos de embriões de Haeckel. A linha superior foi falsificada e as quatro colunas da direita são todas da mesma subclasse taxonômica Eutheria (mamíferos placentários). Do livro de Georges Romanes Darwinism Illustrated (1892).

A teoria da recapitulação foi uma tentativa de aplicar a semelhança embriológica (homologia) em apoio da ancestralidade comum darwiniana. A teoria foi apresentada em 1866 por Ernst Haeckel que cunhou a frase ontogenia recapitula a filogenia para descrever esta visão. Haeckel sugeriu que fendas branquiais e uma cauda pode ser visto durante o desenvolvimento embrionário, em organismos que não os possuíam quando adultos. Se afirmou que estes organismos deviam ter possuído estruturas durante sua história evolutiva que foram perdidas na fase adulta, devido a seleção natural. Sua teoria sustentou que os organismos progrediam através de estágios em sua história evolutiva durante o desenvolvimento embrionário - uma teoria que ficou conhecida como a lei biogenética.

  • Ontogenia é o desenvolvimento do organismo.
  • Filogenia é a história evolutiva.

É importante notar que as fendas branquiais não são fendas absolutamente, mas apenas as dobras na região do pescoço do embrião que nunca estão envolvidas com a troca gasosa (O2 / CO2), que é realizada através do cordão umbilical. Estas dobras, agora chamadas arcos faríngeos, mais tarde tornam-se o ouvido externo e o médio bem como os ossos, músculos, nervos, e glândulas do pescoço. O aparecimento de uma cauda embrionária é simplesmente devido ao rápido crescimento da medula espinhal, fazendo a tornar-se mais longa do que o corpo, e forçando o corpo a enrolar. Esta ondulação contribui para as dobras visíveis na região do pescoço, da mesma forma que uma pessoa desenvolve um queixo duplo ao dobrar o pescoço para a frente.[1]

A fraude de Haeckel

Na tentativa de provar a sua teoria verdadeira, Ernst Haeckel cometeu um dos exemplos mais famosos de fraude científica. Em 1868, ele publicou a série de embriões na figura à direita mostrando diversos seres vivos colocados lado a lado, na tentativa de dar a impressão de que existe uma semelhança significativa entre eles. Os embriões mostrados nos estágios iniciais foram alterados para torná-los mais semelhantes do que são na realidade. O embriologista Jonathan Wells observa que Haeckel também foi muito seletivo sobre os embriões que ele escolheu para sua ilustração.[2] As quatro colunas da direita no diagrama à direita são todas da mesma subclasse taxonômica Eutheria (mamíferos placentários). Marsupiais e monotremados foram excluídos, bem como peixes cartilaginosos (tubarões) e outros.[3] A fraude foi exposta apenas alguns meses após a publicação destas gravuras por L. Rütimeyer, professor de zoologia e anatomia comparada na Universidade de Basel, e corroborado por outros contemporâneos como William His Sr, professor de anatomia na Universidade de Leipzig, que publicou suas próprias comparações mostrando diferenças significativas (figura à esquerda).[4]

Comparação de um embrião humano e um embrião de porco por Wilhelm His (1891) mostrando diferença significativa contradizendo a lei biogenética de Ernst Haeckel.

Em 1997, toda a extensão da fraude de Haeckel foi trazida à tona quando Michael K. Richardson, palestrante e embriologista na St George’s Hospital Medical School, Londres, publicou fotos de embriões reais que ilustram as discrepâncias entre os diagramas populares de Haeckel e os embriões genuínos.[5] Richardson descreveu a situação em uma entrevista na revista Science como se segue: Parece que ele está se transformando em uma das falsificações mais famosas na biologia.[6][nota 1] O estudo foi publicado em outras revistas científicas[7] O esforço envolveu uma equipe internacional de embriologistas que examinaram e fotografaram "a forma externa de embriões a partir de uma ampla gama de espécies de vertebrados, numa fase comparável àquela descrita por Haeckel" porque até aquele momento, era evidente que "ninguém citou dados comparativos em apoio à esta idéia". Eles analisaram 39 animais diferentes, incluindo os publicados por Haeckel e muitos que não foram, como marsupiais, rãs, cobras e jacarés, e eles encontraram significantes diferenças com pouca conservação na fase de desenvolvimento que Haeckel alegou ser a mais similar. De fato, as espécies na publicação fraudulenta são tão diferentes que é assumido que os desenhos feitos por Haeckel não poderiam ter sido feitos a partir de amostras reais.[8]

Em uma entrevista para o Times de Londres, Richardson é citado como dizendo:

This is one of the worst cases of scientific fraud. It’s shocking to find that somebody one thought was a great scientist was deliberately misleading. ... What he did was to take a human embryo and copy it, pretending that the salamander and the pig and all the others looked the same at the same stage of development. They don’t … These are fakes.[9]

Uso em livros didáticos

A despeito da exposição precoce desta fraude por seus contemporâneos e após o reconhecimento quase universal pela comunidade científica, as comparações de embriões de Haeckel continuam a aparecer nos livros didáticos em apoio à ancestralidade comum. Exemplos de uso recente incluem a edição de 2004 do Biology: The Unity and Diversity of Life de Starr e Taggart.[10], e a edição de 1992 de Biology, um texto de biologia com nível universitário introdutório que afirma: "Em muitos casos, a história evolutiva de um organismo pode ser vista a se desdobrar durante o seu desenvolvimento, com o embrião exibindo as características dos embriões dos seus antepassados. Por exemplo, no início de seu desenvolvimento, os embriões humanos possuem fendas branquiais como um peixe..."[11]

Em 2000, o eminente evolucionista Stephen Jay Gould chamou o uso contínuo destes embriões nos livros didáticos atroz:

Nós, eu penso, temos o direito de estar tanto estupefatos quanto envergonhados pelo século de reciclagem irracional que levou à persistência desses desenhos em um grande número, se não a maioria, de livros didáticos modernos. (Stephen Jay Gould)[12]


Livros didáticos que usaram desenhos de Haeckel de embriões (ou versões colorizadas quase idênticas) para promover a evolução

Autor Título Ano de publicação Descrição e detalhes Referência
Joseph Raver Biology: Patterns and Processes of Life 2003 Draft version presented to the Texas State Board of Education for approval in 2003, pg. 100[13] [14]
Cecie Starr and Ralph Taggart Biology: The Unity and Diversity of Life (versão proposta) 2003 Wadsworth, draft version presented to the Texas State Board of Education in 2003, pg. 315[13] [14]
Peter H Raven & George B Johnson Biology 2002 6th ed, McGraw Hill, pg. 1229[13] [14]
Michael Padilla et al. Focus on Life Science (Edição da Califórnia) 2001 Prentice Hall, pg. 372[13] [14]
Peter H Raven & George B Johnson Biology 1999 5th ed, McGraw Hill, pgs. 416, 1181[13] [14]
William D. Schraer and Herbert J. Stoltze Biology: The Study of Life 1999 7th ed, Prentice Hall, pg. 583[13] [14]
Douglas J. Futuyma Evolutionary Biology 1998 3rd ed, Sinauer, pg. 653[13] [14]
Cecie Starr and Ralph Taggart Biology: The Unity and Diversity of Life 1998 8th ed, Wadsworth, 1998, pg. 317[13] [14]
Kenneth R Miller & Joseph Levine Biology: The Living Science 1998 Prentice Hall, pg. 223[13] [14]
Kenneth R Miller & Joseph Levine Biology 1998 4th ed., Prentice Hall, pg. 283[13] [14]
Ernst Mayr What Evolution Is 2001 Basic Books, pg. 28 [15]
Donald Prothero Evolution: What the Fossils Say and Why it Matters 2007 pg. 110 [16]
Bruce Alberts, Dennis Bray, Julian Lewis, Martin Raff, Keith Roberts, James D. Watson Molecular Biology of the Cell 1994 3rd edition, Garland Publishing, pg. 33 [17]


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Notas

  1. Em uma publicação de 2009, Robert Richards fez uma reengenharia na fotografias de Richardson de embriões removendo o material da gema dos embriões e alterando a orientação de algumas fotografias em um esforço para demonstrar que a fraude não estava provada. No entanto, mesmo com o material da gema removido os embriões são bastante diferentes e mal se assemelham aos desenhos de Haeckel. Notavelmente os exemplos de embriões de salamandra e de peixe nas fotos trabalhadas por Richards são completamente diferentes do que o que foi ilustrado por Haeckel. É preciso um esforço sobre-humano para considerar que tem alguma semelhança, em (5 de novembro de 2008) "Haeckel’s embryos: fraud not proven". Biology and Philosophy 24 pp. 147-154. Springer Science+Business Media B.V.. ISSN 0169-3867.

References

  1. Mitchell, T., and Mitchell, E. Something fishy about gill slits! Answers in Genesis, March 14, 2007
  2. Wells, Jonathan. Icons of Evolution: Science or Myth. Washington, DC: Regnery Publishing, 2002. p. 81-109. ISBN 0-89526-200-2
  3. Wells, Jonathan. The Politically Incorrect Guide to Darwinism and Intelligent Design, p.26. Regnery Publishing, Inc. 2006.
  4. Batten, D., Catchpoole, D., Sarfati, J., Wieland, C. The Creation Answers Book, p.113-114. Creation Book Publishers. 2007.
  5. Richardson, Michael K., et al., There is no highly conserved embryonic stage in the vertebrates: implications for current theories of evolution and development Anatomy and Embryology 196(2), 1997, pp. 91-106
  6. Pennisi, Elizabeth. (September 5, 1997). "Haeckel's Embryos: Fraud Rediscovered". Science 277 (5331) pp. 1435. American Association for the Advancement of Science. DOI:10.1126/science.277.5331.1435a. ISSN 0036-8075.
  7. Sarfati, Jonathan. Refuting Evolution. Green Forest, AR: Master Books, 1999. p. 85. ISBN 0-89051-258-2
  8. Grigg, Russell. Fraud rediscovered Creation 20(2):49–51, Março de 1998
  9. Nigel Hawkes, The Times (London), p. 14, 11 August 1997
  10. Wells, p.28
  11. Raven, P.H. and Johnson, G.B., 1992. Biology (3ª edição), Mosby–Year Book, St. Louis, p. 396.
  12. Gould, Stephen Jay. “Abscheulich! Atrocious! Natural History, Março, 2000, p. 45
  13. 13,0 13,1 13,2 13,3 13,4 13,5 13,6 13,7 13,8 13,9 Luskin, Casey (27-03-2007). What do Modern Textbooks Really Say about Haeckel's Embryos?. Discovery Institute. Página visitada em 17 de fevereiro de 2013.
  14. 14,0 14,1 14,2 14,3 14,4 14,5 14,6 14,7 14,8 14,9 New York Times Rehashes Darwinist Myths about Haeckel's Embryo Drawings and Evolution. Página visitada em 17 de fevereiro de 2013.
  15. Mayr, Ernst. What Evolution Is. New York: Basic Books, 2001. p. 28. ISBN 0-465-04425-5
  16. Featured Topic 10/09: Evolutionary PRATTs. Página visitada em 17 de fevereiro de 2013.
  17. Alberts, Bruce; Bray, Dennis; Lewis, Julian; Raff, Martin; Roberts, Keith; Watson, James D.. Molecular Biology of the Cell. New York & London: Garland Publishing, 1994. p. 33. ISBN 0-8153-1619-4

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