Atmosfera redutora

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Os planetas gigantes gasosos (Júpiter, Saturno, Urano, Netuno) têm atmosferas redutoras

Uma atmosfera redutora ou atmosfera de redução é uma atmosfera sem quantidades significativas de oxigênio (O2) livre e outros gases ou vapores oxidantes impedindo assim a oxidação.[1] Os químicos referem-se a uma atmosfera com abundância de átomos de hidrogênio, ou outras substâncias que facilmente emprestam elétrons, e uma escassez de átomos de oxigênio e de nitrogênio como "redutora".[2] Uma atmosfera de redução contém redutores, ou moléculas saturadas com átomos de hidrogênio, tais como amônia (NH3) e metano (CH4), que são capazes de reduzir outras moléculas. Então, o carbono, por exemplo, aparece na sua forma mais reduzida (CH4) mas não de uma forma oxidada (CO) ou uma forma integralmente oxidada (CO2). A discussão sobre o grau de oxidação da atmosfera primitiva da Terra é um dos temas fundamentais dos modelos de origem da vida.

A atmosfera primitiva

Figura do layout do experimento de Miller-Urey, mostrando a atmosfera primitiva assumida por eles

As teorias sobre a origem da vida inicialmente assumiram que a atmosfera primitiva deveria ser uma redutora, a fim de evitar a destruição oxidativa dos componentes da "sopa primordial".[3] Assim, os evolucionistas teorizam uma atmosfera primitiva sem oxigênio. Oparin acreditava que a atmosfera primitiva da Terra era composta de hidrogênio (H2), metano (CH4), amônia (NH3) e vapor de água (H2O), não contendo oxigênio.[1] Haldane postulou a mesma teoria e suas conclusões mais importantes foram apresentadas em um artigo curto para o Rationalist Annual.[4] Outros cientistas que corroboram esse modelo de atmosfera foram Miller e Urey. Eles argumentaram que uma quantidade pequena, mas significativa de H2 manteve-se na atmosfera primordial e reagiu com átomos de carbono, nitrogênio ou oxigênio formando este tipo de atmosfera.[5] Ao submeter faíscas ao hidrogênio, metano, amônia e vapor de água juntos, eles produziram vários aminoácidos, os blocos de construção da vida orgânica.[6]

Hoje em dia há um acordo quase universal entre os especialistas de que a atmosfera primitiva não continha gases redutores como metano, amônia e hidrogênio.[7] Em vez disso, a atmosfera conteria dióxido de carbono e azoto.[7] Conforme Hubert Yockey, a visão moderna sobre a atmosfera da Terra primitiva é que era neutra e composta de azoto (N2), dióxido de carbono (CO2), água (H2O) e talvez um pouco de amônia (NH3).[8]

Uma atmosfera sem oxigênio traz algumas dificuldades em relação ao problema da origem da vida. Michael Denton assinala que, com uma atmosfera sem oxigênio não haveria camada de ozônio na atmosfera superior eo fluxo ultravioleta que atinge a Terra seria suficiente para quebrar compostos orgânicos tão rapidamente quanto eles sejam produzidos.[9] Alguns cientistas, ultimamente, (por exemplo R. T. Brickmann e J. H. Carver) acreditam que a atmosfera primordial da Terra não era tão fortemente redutora e provavelmente continha uma certa quantidade de oxigênio produzido pela fotodissociação de água.[10][11]

Referências

  1. 1,0 1,1 Dembski, William A.; Wells, Jonathan. How to Be an Intellectually Fulfilled Atheist (or not). Wilmington, Delaware: ISI Books, 2008. p. 18. ISBN 978-1-933859-84-2
  2. Shapiro, Robert. Origins: A Skeptic's Guide to the Creation of Life on Earth. Toronto: [s.n.], 1987. p. 65. ISBN 0-553-34355-6
  3. Aw, S. E. Chemical Evolution. San Diego, California: Master Books, 1982. p. 4. ISBN 0-89051-082-2
  4. Clark, Ronald W. J B S: The Life and Work of J. B. S. Haldane. New York: Coward-McCann, Inc., 1969. p. 93-94. Library of Congress Catalog Card Number:68-11875
  5. Thaxton, Charles B.; Bradley, Walter L.; Olsen, Roger L. The Mistery of Life's Origin: Reassessing Current Theories. New York: Philosophical Library, 1984. p. 74. ISBN 0-8022-2447-4
  6. Smith, A. E. Wilder. The Creation of Life: A Cybernetic Approach to Evolution. Wheaton, Illinois: Harold Shaw Publishers, 1970. p. 49. ISBN 0-87788-144-8
  7. 7,0 7,1 Sarfati, Jonathan. By Design:Evidence for Nature's Intelligent Designer - the God of the Bible. Powder Springs, GA: Creation Book Publishers, 2008. ISBN 978-0-94990672-4
  8. Yockey, Hubert P. Information Theory, Evolution, and the Origin of Life. Cambridge: Cambridge University Press, 2005. p. 146. ISBN 978-0-521-80293-2
  9. Denton, Michael. Evolution: A Theory in Crisis. Chevy Chase, MD: Adler & Adler, 1985. p. 261. ISBN 0-917561-52-X
  10. Overman, Dean L. A Case Against Accident and Self-Organization. Lanham: Rowman & Littlefield Publishers, 1997. p. 41-42. ISBN 0-8476-8966-2
  11. Wells, Jonathan. Icons of Evolution: Science or Myth?. Washington, DC: Regnery Publishing, 2000, 2002. p. 15-16. ISBN 0-89526-200-2

Ver também

Ligações externas