Inerrância bíblica
A inerrância bíblica é uma crença e uma posição doutrinária de que a Bíblia, tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento, está sem erro. Tal crença ou confiança nas verdades da Bíblia pesam fortemente na epistemologia cristã e, em última análise, na fé na salvação. Embora alguns apontem para alegadas contradições, a inerrância bíblica é uma posição defendida porque evidências externas podem ser encontradas em muitas formas: atestamento extra-bíblico, predição e cumprimento proféticos, antevisão científica antes da ciência exata ser conhecida, e verificação pela arqueologia. Uma visão semelhante, mas contrastante, conhecida como acurácia substantiva, afirma que a Bíblia é precisa, mas não totalmente inerrante. Acredita-se que as Escrituras foram escritas por homens sábios e inteligentes que, ou observaram as coisas que eles registraram, ou basearam seus relatos em fontes confiáveis e precisas.
Existem duas formas de inerrância, conhecidas como inerrância estrita e inerrância original.
- A inerrância estrita afirma que a Bíblia está sem erro na sua forma atual.
- A inerrância original sustenta que a Bíblia estava sem erro em sua forma original, mas acumulou alguns erros menores e insignificantes ao longo de anos de cópia.
Importância
Para entender por que a inerrância é tão importante, deve-se considerar o que a Bíblia pretende ser. Crentes no Deus de Abraão, Isaque e Jacó também acreditam que a Bíblia é diretamente a Palavra de Deus. Os princípios da inerrância bíblica decorrem principalmente da surpreendente precisão profética da Bíblia. Para citar o exemplo mais famoso, a Bíblia contém mais de quatrocentas profecias específicas sobre Jesus Cristo. Peter W. Stoner[1] recentemente calculou[2] que a probabilidade de até quarenta e oito delas se tornarem realidade apenas por acaso era de 10-157. Isso é o dígito um precedido por 157 zeros e um ponto decimal. Para colocar isso em perspectiva, 10-157 é um décimo de um sobre o quadrado do número total de elétrons no universo.
Inerrância estrita
A inerrância estrita é uma crença e uma posição doutrinária que afirma que a Bíblia está sem erro na sua forma atual. Essa crença se opõe à doutrina da inerrância original, que mantém apenas que a Bíblia era originalmente sem erro, mas agora contém alguns pequenos erros de cópia.
A inerrância estrita não significa que qualquer tradução fornecida da Bíblia é inerrante. Significa, sim, que temos manuscritos da Bíblia, na sua língua original, que preservam intactos o texto original inspirado por Deus.
Evidência
O Antigo Testamento sozinho é o mais cuidado manuscrito na história das letras. Fred Williams[3] afirma isto[4] sobre os métodos dos escribas em tomar cuidado para que eles produzissem cópias fiéis:
| “ | Os escribas que estavam à frente do texto do Antigo Testamento dedicavam suas vidas a preservar a precisão do texto quando faziam cópias. O grande esforço que os escribas fizeram para garantir a fiabilidade das cópias é ilustrado pelo fato de que eles iriam contar cada letra e cada palavra, e registrar nas margens coisas como a letra do meio e a palavra do meio da Torá. Se um único erro fosse encontrado, o exemplar era imediatamente destruído. Como engenheiro de software, posso pessoalmente atestar que o método dos escribas de proteger o texto é mais rigoroso do que os métodos comuns de soma de verificação usados hoje para proteger programas de software de corrupção. | ” |
De longe, o atestado mais notável tanto para a força profética quanto para a precisão da transmissão da Bíblia ocorreu em 1947, com a descoberta em Qumran dos Manuscritos do Mar Morto. Esses documentos, que na verdade datam de 200 a.C., em alguns casos, concordam palavra por palavra com manuscritos hebraicos modernos com muito poucas exceções.
O Novo Testamento foi menos bem protegido. No entanto, Williams relata que existem mais de 24.000 cópias do Novo Testamento, a mais antiga das quais datando para dentro da casa de 30 anos da escrita do último livro da Bíblia (Apocalipse). Essas cópias têm um recorde invejável de acordo entre si, tendo 40 linhas em disputa, em comparação com as 764 linhas em disputa nas 643 cópias da Ilíada de Homero.
Inerrância original
A inerrância original é uma crença de que, enquanto a Bíblia era totalmente sem erro em sua forma original, sua forma atual contém um número inevitável de erros menores de cópia.
Transmissão e Tradução
Dois processos alimentam o debate da inerrância:
- Transmissão é a cópia do manuscrito original, na língua original.
- Tradução é a renderização do manuscrito de seu original (hebraico ou grego) para outro idioma.
Alguns poucos comentaristas tomaram uma posição de que uma tradução ou outra é tão confiável quanto o foram os manuscritos originais. O movimento "King James Only" (Somente a King James) é um excelente exemplo. Os críticos apontam que uma tradução nunca é exata e que assumir que uma determinada tradução seria tão inspirada ou "soprada por Deus" quanto o original é assumir uma doutrina que a própria Escritura não sustenta.
A transmissão é outra questão. Um inerrantista original simplesmente diz que não temos os manuscritos originais, e que nunca deveríamos aceitar uma cópia no lugar de um original. Os inerrantistas estritos respondem apontando o grande cuidado que os transmissores dos manuscritos tiveram, e a correlação notável—melhor do que a de cópias de quaisquer outras obras antigas—entre as cópias conhecidas da Bíblia e de seus vários livros.
Acurácia substantiva
A acurácia substantiva é a visão de que as Escrituras foram escritas por homens sábios e inteligentes que ou observaram as coisas que registraram ou basearam os seus relatos em fontes confiáveis e precisas. Esta visão é baseada principalmente nas características literárias da Bíblia e na sua consistência com as evidências físicas.
No entanto, embora este ponto de vista veja a Bíblia como precisa, ele não vê a Bíblia como inerrante. Pelo contrário, ele afirma que existem alguns erros e contradições óbvios na Bíblia, embora sejam pequenos. Contudo:
- As pequenas contradições e erros são vistos como insignificantes e largamente compensados pela coerência e verdade notáveis que brilham da Bíblia;
- As pequenas contradições e erros são vistos como somando para a credibilidade da Bíblia, como evidência de que ela deve ter se originado de fontes independentes, tornando assim a consistência notável dela ainda mais impressionante.
Por exemplo, uma pessoa que tenha este ponto de vista e examina os quatro relatos da ressurreição de Jesus percebe as diferenças, e admite que elas podem muito bem ser incompatíveis. No entanto, o fato de que os quatro relatos são ligeiramente diferentes é então levado como evidência de que os relatos foram originados separadamente, em vez terem se originado de uma única fonte. O fato de existirem quatro relatos históricos independentes do evento que são tão semelhantes em todos os detalhes significativos é então visto como uma forte evidência de que o evento como descrito de modo geral realmente ocorreu.
Consequentemente, aqueles que mantêm este ponto de vista geralmente têm pouco a discutir com os aderentes da inerrância bíblica em qualquer questão substantiva. Eles acreditam que a Bíblia é precisa em sua descrição da criação e de eventos que se seguiram. Eles só contestam a crença de que a Bíblia é completamente inerrante, porque não vêem razão para acreditar, seja a partir de qualquer afirmação de inerrância por parte da Bíblia, seja por um simples olhar para vários fatos que consideram serem erros e contradições óbvios, embora menores.
Escolas de pensamento
- Empirismo cético: A crença de que nada deve ser crido a menos que possa ser visto ou "racionalmente demonstrado", em conjunto com um ceticismo em relação a Deus e aos milagres. Exemplo: Hume.
- Empirismo religioso: A crença de que nada deve ser crido, a menos que possa ser visto ou racionalmente inferido, em conjunto com uma abertura para Deus e os milagres. Exemplo: Aquino.
- Fundamentalismo: A crença de que a verdadeira compreensão deve começar com a aceitação dos princípios bíblicos e teológicos, e que a ciência e o empirismo estão condenados ao fracasso, porque não repousam nesse primeiro princípio.
- Fideísmo: A crença de que os dogmas religiosos podem e devem ser acreditados "pela fé", sem evidência. Exemplo: Kirkegaard.
Referências
- ↑ Stoner, Peter W., and Newman, Robert C. Science Speaks: Scientific Proof of the Accuracy of Prophecy and the Bible, edição online. Novembro de 2005. Acessado em 11 de outubro de 2008.
- ↑ Slick, Matt. "Prophecy, the Bible, and Jesus." Christian Apologetics and Research Ministry, janeiro de 2002. Acessado em 11 de outubro de 2008.
- ↑ William, Fred. "Welcome to Bible Evidences." 2005. Acessado em 11 de outubro de 2008.
- ↑ Williams, Fred. "Meticulous Care in the Transmission of the Bible." Bible Evidences, n.d. Accessed October 11, 2008.
Ligações externas
- Por Que Devemos Acreditar na Inerrância das Escrituras? por Brian Edwards, ministério Answers in Genesis
- Bible Artigos diversos sobre a Bíblia e sua inspiração, confiabilidade e precisão, no Answers in Genesis
- The Chicago Statement on Biblical Inerrancy Publicado no site do Dallas Theological Seminary
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