Hiperciclo

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Esquema de um hipotético hiperciclo. Cada laço vermelho representa um sistema autocatalítico individual. As setas tracejadas em verde indicam o efeito de amplificação de um componente autocatalítico em outro.

Hiperciclos são reivindicados como um possível precursor evolutivo para as células vivas. Eles são uma tentativa de mostrar como a vida pode se originar por um processo natural. Eles são ciclos hipotéticos de reações químicas não biológicos autocatalíticos das substâncias que se pensa serem necessárias para a geração espontânea de vida.

Eles são uma tentativa de estender a evolução darwiniana para a origem da vida. A idéia é que esses hiperciclos iriam construir por mutação e seleção natural todas as substâncias e, finalmente, os processos e as estruturas das células vivas. Eles são um modelo bastante simples e puramente matemático que carece de qualquer detalhe. Eles são totalmente especulativos,[1] sem fundamento aparente do mundo real.[2] Estes chamados hiperciclos nunca foram observados na natureza, ou mesmo produzidos num laboratório.

Hiperciclos são apenas mais uma na longa linha de 'just so stories' (em português: 'historinhas que foram mais ou menos assim' ou 'historinhas do tipo: foi assim') evolucionistas que são inventadas para tentar explicar a origem da vida por processos naturais.

O esquema

O modelo hiperciclo foi um esquema altamente especulativo proposto pelo Prêmio Nobel de química, Manfred Eigen, juntamente com seu aluno de pós-graduação Peter Schuster. O modelo hiperciclo é uma classe particular de redes de reação auto-replicativas e pode ser caracterizado por métodos topológicos.[3] O hiperciclo é um esquema de reações cíclicas, em que cada um dos replicadores atua como um catalisador para a replicação do seguinte, até ao último que, em seguida, auxilia na replicação do primeiro, completando assim um ciclo. Os elementos do hiperciclo devem ser simultaneamente catalisadores (enzimas) e replicadores. Eles devem ter a capacidade de se replicar e produzir enzimas, isto é, tem um metabolismo. Apenas as ribozimas, moléculas de ARN com funções catalíticas,[4] possuem essas características. O esquema é basicamente o seguinte: O portador de informação Ii (uma matriz de ARN) tem a capacidade de instruir duas coisas: a sua replicação e a produção da enzima Ei.[5] Estas enzimas catalisam a reprodução do próximo portador de informação Ii+1 e assim por diante até que o portador de informação In seja capaz de catalisar a replicação do primeiro portador de informação, de modo a reiniciar o ciclo.

Crítica

Hiperciclo interrompido por mutação numa das ribozimas. I2 tornou-se um mutante parasita.

Uma das críticas mais severas do esquema de hiperciclos que é levantado por biólogos, incluindo evolucionistas, é a possibilidade, ou mesmo a inevitabilidade de mutantes surgirem em qualquer fase deste processo. Estes mutantes podem atuar como parasitas interrompendo o ciclo. Por exemplo, um mutante gerado pela ribozima I2 ainda pode ser catalisado pelas enzimas produzidas pela I1 mas não mais ser capaz de catalisar a replicação do transportador de informações I3 (ver figura ao lado).

Conforme J. S. Wicken a teoria hiperciclo é baseada em suposições não comprovadas sobre as condições de evolução pré-biótica e as implicações dessas suposições contraria tanto a evidência empírica quanto a racional pelas quais a seleção natural atua na evolução geral.[6] Wicken também ressalta o caráter especulativo da teoria da hiperciclos. Wicken afirma que:

hiperciclos são intermediários teóricos invocadas para preencher a lacuna entre replicadores hipotéticos e a organização biológica. Os méritos da teoria dos hiperciclos devem ser avaliados de forma um tanto indireta, considerando-se suas suposições e previsões à luz do que sabemos sobre as condições químicas prováveis ​​de evolução pré-biótica e os fundamentos da seleção natural.[6]

Mesmo o website anticriacionista 'talk.origins Archive' admite que a teoria da hiperciclos não deu em nada:

No entanto, hiperciclos complexos só existem como simulações de computador. Mais de 30 anos após a introdução da hipótese, não existe qualquer evidência experimental para hiperciclos complexos, possivelmente prebióticos. Isso os torna ainda nada mais do que mera especulação e, enquanto a hipótese tem sido um tema recorrente na literatura científica sobre a origem da vida, não é mais freqüentemente mencionada em publicações recentes no campo.[7]

Referências

  1. Gitt, Werner. In the Beginning was Information: A Scientist Explains the Incredible Design in Nature. Green Forest, AR: Master Books, 2005. p. 29. ISBN 978-0-89051-461-0
  2. Truman, Royal. (2006). "Searching for Needles in a Haystack". Journal of Creation 20 (2) pp. 90. ISSN 1036-2916.
  3. Eigen, M., and P. Schuster. (1978). "[http://jaguar.biologie.hu-berlin.de/~wolfram/pages/seminar_theoretische_biologie_2007/literatur/schaber/Eigen1978Naturwissenschaften65a.pdf The Hypercycle: A Principle of Natural Self-Organization - Part B: The Abstract Hypercycle]". Naturwissenschaften 65: 7-41. Springer-Verlag. ISSN 0028-1042.
  4. Schuster, Peter; Stadler, Peter F. In: Domingo, Esteban; Webster, Robert G.; Holland, John. Origin and Evolution of Viruses. London: Academic Press, 1999. Capítulo: 1: Nature and Evolution of Early Replicons, ISBN 0-12-220360-7
  5. Eigen, M., and P. Schuster. (1977). "[http://jaguar.biologie.hu-berlin.de/~wolfram/pages/seminar_theoretische_biologie_2007/literatur/schaber/Eigen1977Naturwissenschaften64.pdf The Hypercycle - A Principle of Natural Self-Organization - Part A: Emergence of the Hypercycle]". Naturwissenschaften 64 (11): 541-565. Springer-Verlag. ISSN 0028-1042.
  6. 6,0 6,1 Wicken, J.S.. (1985). "An organismic critique of molecular Darwinism". J. Theor. Biol. 117 (4): 545-561. ISSN 0022-5193.
  7. Albrecht Moritz (31 de outubro de 2006). The Origin of Life. Página visitada em 19 de agosto de 2013.

Related References

Ligações externas

Ver também