Genética populacional

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Variação genética na cor entre indivíduos de uma população de estrelas do mar (Pisaster ochraceus)

Genética populacional ou genética de populações é o ramo da biologia que estuda a distribuição e as alterações nas frequências alélicas sob a influência dos quatro processos seguintes: seleção natural, deriva genética, mutação e fluxo gênico.[1] A genética de populações está preocupada com o estudo ao nível de uma população inteira de organismos.[2] Para o ponto de vista da genética de populações, de acordo com a visão evolucionista, o processo de evolução, consiste de uma série de substituições de genes.[3]

Conceitos

População

Uma população é um grupo de indivíduos pertencentes à mesma espécie que vivem em uma área geográfica delimitada e efetiva ou potencialmente cruzam.[4]

Pool genético

O pool genético é o conjunto completo de alelos, que podem ser encontrados no material genético de cada um dos indivíduos vivendo em uma dada população ou, em outras definição, é a totalidade dos genes de uma determinada população sexual.[5][6]

Os quatro processos

Seleção natural

A seleção natural ou selecção natural é também conhecida como a sobrevivência do mais apto. É um efeito observável da natureza e é considerado um mecanismo verificável responsável pela evolução biológica. A seleção natural não cria novas características nos organismos: apenas favorece a difusão dos traços vantajosos pré-existentes, e desfavorece a propagação dos traços desvantajosos pré-existentes. Em outras palavras, a seleção é a endogamia dos genes favorecidos, que reduzem a diversidade de informação genética de uma população, e (na ausência de qualquer outra fonte de diversidade genética para superar a seleção) produz genéticos puros ou homozigotos para o traço em questão. O resultado é que os organismos se tornam altamente adaptados ao seu ambiente ao longo do tempo, e as mutações prejudiciais são impedidas de se espalhar por toda a população.

Deriva genética

A deriva genética é o estabelecimento de certos alelos devido à amostragem aleatória do pool genético.[7] A deriva genética refere-se à diminuição na variabilidade genética e a heterozigosidade ao longo do tempo. Em populações estáveis​​, a deriva genética faz com que a variação genética diminua significativamente mais rápido do que a mutação possa adicionar novas variações. A deriva genética é um processo genético estocástico ou aleatório.[8]

Mutação

Uma mutação é qualquer alteração espontânea hereditária na sequência de ADN que contribui para a variabilidade genética.

Fluxo gênico

O fluxo gênico é a transferência de alelos ou de genes de uma população para outra. Em outra definição, é a propagação de genes a partir de uma população reprodutora para outra por migração, possivelmente levando a alterações na frequência de alelos. O efeito global do fluxo genético é que ele dificulta a divergência genética entre as populações e aumenta a variação genética dentro das populações.[9]

História

Mesmo antes de a ciência da genética ter nascido a herança de caracteres quantitativos foi tema de intensa pesquisa.[10] Posteriormente, foi o trabalho do biólogo britânico Ronald A. Fisher a partir de 1918, que forneceu uma base teórica para a herança de caracteres quantitativos.[10] Junto com Fisher e o biólogo americano Sewall Wright, o geneticista britânico J.B.S. Haldane foi um dos três fundadores do campo de estudo da genética de populações.[11]


Referências

  1. Gillespie, John H. Population Genetics: A Concise Guide. Baltimore/London: The John Hopkins University Press, 1998. p. 19-48. ISBN 0-8018-5755-4
  2. Snustad, Peter; Simmons, Michael J. Principles of Genetics. 6ª ed. River Street, Hoboken, NJ: John Wiley & Sons, Inc, 2012. p. 12. ISBN 978-0-470-90359-9
  3. Kimura, Motoo; Ohta, Tomoko. Theoretical Aspects of Population Genetics. Princeton, New Jersey: Princeton University Press, 1971. p. 16. ISBN 0-691-08098-4
  4. Klug, William S.; Cummings, Michael R.; Spencer, Charlotte A.; Palladino, Michael A. Concepts of Genetics. 10ª ed. Boston: Pearson, 2012. p. 698. ISBN 978-0-321-72412-0
  5. Futuyma, Douglas J.. Evolution. Sunderland, Massachusetts: Sinauer Associates, Inc, 2005. p. 548. ISBN 978-0-87893-187-3
  6. Meyer, Stephen C.; Nelson, Paul A.; Moneymaker, Jonathan; Minnich, Scott; Seelke, Ralph. Explore Evolution: The Arguments For and Against Neo-Darwinism. Malvern, Victoria: Hill House Publishers, 2009. p. 146. ISBN 978-0-947352-41-6
  7. Lester, Lane P; Bohlin, Raymond G. The Natural Limits to Biological Change. 2ª ed. Dallas: Probe Books, 1989. ISBN 0-945241-06-2
  8. Dobzhansky, Theodosius. Genetic Diversity & Human Equality:The Facts & Fallacies in the Explosive Genetics & Education Controversy. New York: Basic Books, 1973. p. 78. ISBN 0-465-09710-3
  9. Pierce, Benjamin. Genetics: A Conceptual Approach. [S.l.: s.n.], 2003. p. 681. ISBN 978-1-57259160-8
  10. 10,0 10,1 Narain, P. In: Majumder, Partha P. Human Population Genetics: A Centennial Tribute to J.B.S.Hadane. London: Plenum Press, 1993. Capítulo: Population Genetics of Quantitative Characters, p. 31. ISBN 0-306-44572-7
  11. Batten, Don. (2005). "Haldane's Dilemma Has Not Been Solved". TJ The In-depth Journal of Creation 19 (1): 20-21. ISSN 1036-2916.