Alguns sistemas são irredutivelmente complexos (Talk.Origins)

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Afirmação CB200:

Alguns sistemas bioquímicos são irredutivelmente complexos, o que significa que a remoção de qualquer parte do sistema destrói a função do sistema. A complexidade irredutível exclui a possibilidade de um sistema ter evoluído, e assim ele deve ter sido projetado.

Fonte: Behe, Michael J. 1996. Darwin's Black Box, New York: The Free Press.


Resposta da CreationWiki: (citações do Talk.Origins em azul)

A complexidade irredutível pode evoluir. Ela é definida como um sistema que perde sua função se qualquer parte é removida, e assim ela apenas indica que o sistema não evoluiu pela adição de partes singulares sem nenhuma mudança em função. Isso ainda deixa vários mecanismos evolutivos:

  1. deleção de partes
  2. adição de múltiplas partes; por exemplo, duplicação de muito do sistema ou de todo ele (Pennisi 2001)
  3. mudança de função
  4. adição de uma segunda função a uma parte (Aharoni et al. 2004)
  5. mudança gradual de partes

[note que a numeração é adicionada para uma referência fácil; O T.O usa uma forma de lista ao invés disso]

Isso confunde tanto (a) o que a complexidade irredutível diz, como (b) que tipo de caminho evolutivo tal coisa deve trilhar. Com relação a (a), ela não diz que o sistema perde sua função se qualquer parte é removida, mas que inclui partes irredutivelmente complexas. Vamos ver ao invés disso a própria definição de Behe:

Por irredutivelmente complexo eu quero dizer um sistema singular composto de várias partes bem combinadas e interatuantes, que contribuem para a função básica, em que a remoção de qualquer uma dessas partes faz com que o sistema efetivamente pare de funcionar.

Como se pode ver, quando ele está falando da remoção de "qualquer uma das partes", ele está falando especificamente acerca das partes bem combinadas, interatuantes, que contribuem para a função básica. Se X é um processo IC, adicionar Y para melhorá-lo não torna o resultado não-IC. Isso apenas significa que Y não é parte da função básica.

Agora, vamos ver sua lista alegada de caminhos em que um sistema IC pode evoluir. (1) é bobagem. Se você deleta partes de um sistema, o subsistema que permanece deve ter estado lá desde o começo. Dizer que "eu destruí X mas agora tenho apenas Y" não diz como você obteve Y, para começo de conversa. Lembre-se que bioquimicamente não apenas todas as enzimas precisam estar presentes, como também todas elas têm que funcionar exatamente da maneira correta. Eu não obtenho um carro apenas através da remoção de partes de um avião a jato, mesmo que o avião a jato tenha partes suficientes para se fazer um carro. Depois de remover as partes, eu teria então que montar as restantes para tê-las na ordem correta. Assim, (1) não vai produzir um sistema irredutivelmente complexo. (2) é irrelevante. Duplicar o sistema X apenas lhe dá dois sistemas X. Não resulta em um novo sistema. (3) também é irrelevante, porque ainda não lhe diz como o sistema todo foi colocado no lugar. O mesmo para (4). (5) é incorreto, porque em primeiro lugar, isso é contrário ao que a complexidade irredutível está dizendo, e em segundo lugar, sistemas irredutíveis, embora suas partes possam mudar, não podem surgir por si só através de tal processo.

Ok, então vamos em frente:

Todos esses mecanismos foram observados em mutações genéticas. Em particular, deleções e duplicações de gene são bem comuns (Dujon et al. 2004; Hooper e Berg 2003; Lynch e Conery 2000), e juntas elas tornam a complexidade irredutível não apenas possível como também esperada. Na verdade, ela foi prevista pelo geneticista vencedor do prêmio Nobel Hermann Muller quase um século atrás (Muller 1918, 463-464). Muller se referiu a ela como complexidade intertravada (Muller 1939).

Porque sua premissa está errada, sua conclusão está errada. Ninguém está afirmando que deleções e duplicações não são comuns no genoma. Mas elas são totalmente irrelevantes.

Origens evolutivas de alguns sistemas irredutivelmente complexos foram descritas em alguns detalhes. Por exemplo, a evolução do ciclo do ácido cítrico de Krebs foi bem estudada; irredutibilidade não é nenhum obstáculo a sua formação (Meléndez-Hevia et al. 1996).

Obviamente, o Talk.Origins é totalmente ignorante tanto do trabalho de Behe COMO TAMBÉM do artigo que está citando. Em primeiro lugar, Behe lista o ciclo de Krebs como NÃO sendo irredutivelmente complexo. Então esse parágrafo inteiro é inútil de qualquer forma -- Behe concorda com o T.O e afirma isso em seu livro. Em adição a isso, o artigo em si NÃO trata de se o ciclo de Krebs é irredutivelmente complexo. O que ele trata é sobre o processo de Krebs ocorrer em um passo de cada vez, não o caminho evolutivo para chegar no processo de Krebs. Ajudaria de verdade o caso do Talk.Origins se eles realmente se importassem em ler (a) o que eles estão argumentando contra, e (b) os artigos que estão citando em apoio a sua posição.

Mesmo que a complexidade irredutível impedisse a evolução darwiniana, a conclusão de planejamento não se segue. Outros processos podem tê-la produzido. A complexidade irredutível é um exemplo de um falho argumento de incredulidade.

O Talk.Origins confunde continuamente um argumento de incredulidade com um argumento de projeto. O argumento do projeto é: "Nós sabemos com o que se parece algo que foi projetado. Isso se encaixa com o nosso conhecimento acerca do projeto?" O argumento da incredulidade por sua vez é: "Não sabemos como isso poderia ter surgido, então deve ter sido projetado". Michael Behe usa o primeiro, enquanto o Talk.Origins afirma continuamente que ele e outros do DI usam o segundo. O argumento da CI para o projeto é duplo: (1) ela não se encaixa com o Darwinismo, e (2) ela se encaixa com o projeto. O Talk.Origins aqui está simplesmente tapando os ouvidos para a segunda afirmação.

A complexidade irredutível é pobremente definida. Ela é definida em termos de partes, mas está longe de ser óbvio o que é uma "parte". Logicamente, as partes deveriam ser átomos individuais, porque eles são o nível de organização que não é mais subdividida na bioquímica, e eles são o menor nível que os bioquímicos consideram em suas análises. Behe, porém, considerou conjuntos de moléculas como sendo partes individuais, e ele não deu nenhuma indicação de como ele fez suas determinações.

Uau, o Talk.Origins não sabe o que é uma parte! Geralmente, partes são definidas em termos do projetista e das ferramentas disponíveis. Quando eu faço um programa, eu não me refiro aos átomos do computador individualmente, embora pareça que o Talk.Origins pense que eu deva. O fato de que os bioquímicos os consideram em suas análises é irrelevante, assim como projetistas de computador também consideram átomos em suas análises. Simplesmente acontece de ser totalmente irrelevante para o projeto que acontece no computador. O uso de Behe de produtos de genes como partes é bastante apropriado, uma vez que esse é o nível de detalhe que funções celulares normalmente operam.

Sistemas que foram considerados irredutivelmente complexos podem não ser. Por exemplo:

  • A ratoeira que Behe usou como um exemplo de complexidade irredutível pode ser simplificada dobrando-se ligeiramente o braço de sustentação e removendo-se a trava.

Isso envolve re-projetar outras partes para realizar a mesma função. Ainda há uma trava, ela é agora não uma peça separada mas parte do martelo e não é nada óbvio que o projeto é de qualquer maneira mais simples.

  • O flagelo bacteriano não é irredutivelmente complexo porque ele pode perder muitas partes e ainda funcionar, seja como um flagelo mais simples ou como um sistema de secreção. Muitas proteínas do flagelo eucariótico (também chamado de cílio ou ondulipódio) são conhecidas por serem dispensáveis, porque flagelos de natação funcionais que não têm essas proteínas são conhecidos por existir.

O número de non-sequiturs nisso aqui é impressionante. (1) ser capaz de perder uma parte não torna algo não IC. Ver a definição acima. (2) se perder partes muda sua função, então isso ainda iria classificá-la como IC. (3) a existência de flagelos que não têm algumas das proteínas é irrelevante se elas não são parte do que irredutivelmente complexo. (4) a existência de flagelos que não têm algumas das proteínas que são parte do que é considerado irredutivelmente complexo é irrelevante se esses flagelos operam com um mecanismo básico diferente do dos flagelos descritos por Behe. Uma contradição do argumento de Behe iria requerer que os flagelos operassem nos mesmos princípios que o que Behe descreve, assim como a remoção de alguma das proteínas que Behe descreve como parte do que é irredutivelmente complexo.

  • A despeito da complexidade do transporte de proteína do exemplo de Behe, há outras proteínas para as quais nenhum transporte é necessário (ver Ussery 1999 para referências).

Isso é irrelevante.

  • O exemplo do sistema imunológico que Behe inclui não é irredutivelmente complexo, porque os anticorpos que marcam células invasoras para destruição podem eles mesmos entravar a função dessas células, permitindo que o sistema funcione (embora não tão bem) sem as moléculas destruidoras do sistema de complemento.

Como um teste, eu encorajo o membro do Talk.Origins fazendo essa afirmação a entravar o seu próprio sistema imunológico na maneira proposta :)